Música: Alexandra Burke – Broken Heels

"Um pop dançante de muita qualidade, cantado por um grande talento"



Artista: Alexandra Burke
Música: Broken Heels
Álbum: Overcome
Produção: RedOne
Nota: 7.0




Em 2008, a cantora britânica Alexandra Burke venceu o concurso inglês The X Factor, a versão de lá do conhecido American Idol. A partir daí, passou a trabalhar em sua carreira visando solidez e qualidade, mostrando um talento que até então tem conquistado muitos fãs. Seu primeiro disco intitulado "Overcome" saiu esse ano e ganhou um bocado de críticas positivas. Dois singles já foram lançados, "Hallelujah", cover de uma famosa música de Leonardo Cohen, e "Bad Boys". Agora chegou a vez de "Broken Heels".

A produção assinada por RedOne é eficiente, deixando a marca que o consagrou ao produzir os hits "Just Dance" e "Poker Face" de Lady GaGa. A música é extremamente pop, festiva, funciona muito bem como single e tem tudo para dar certo nas terras americanas (lugar onde Burke ainda não emplacou). Pouco tempo atrás, vazou o seu videoclipe, que transparece essa ambição do sucesso norte-americano pela própria cantora ao tematizar um time feminino de futebol americano. Apelativo, porém bastante original.

Também destaco a performance vocal da britânica, que está impecável, alcançando grandes notas e conduzindo a música muito bem. O refrão é chiclete e não enjoa com facilidade, fazendo dessa música um ótimo e recomendado exemplo do pop comercial. A letra faz a linha anti-machista, nos remetendo inclusive a músicas como "Can't Hold Us Down" de Christina Aguilera.

Os poréns ficam por conta da mesma produção eficiente, mas que não inova e deixa "Broken Heels" com cara de rascunho para os grandes sucessos que RedOne já produziu. A falta de algo diferente talvez possa ser uma grande barreira no caminho do sucesso para o single. O instrumental também não é grandes coisas, focando sintetizadores ultrapassados e com um pianinho no fundo que, pelo menos pra mim, irrita bastante. Mas isso não estraga a música, só deixa ela longe da perfeição.

Foi um single muito bem escolhido, que se for bem trabalhado pode sim ser um grande hit. É um ótimo pedido para festas, pistas ou até mesmo pra dar uma turbinada nas suas playlists. Só que volto a dizer que esse resultado positivo deve muito ao talento de Alexandra, que a partir disso passa a ser uma boa promessa para o ano que vem.

Disco: Rihanna - Rated R

"Um pouco inferior ao seu disco anterior, porém com uma produção de alto nível e vocais menos irritantes"



Artista: Rihanna
Disco: Rated R
Produtores: Antonio "L.A." Reid (executive), Rihanna (also executive)
, Chase & Status, The-Dream, Chuck Harmony, Brian Kennedy, Ne-Yo, StarGate, Tricky Stewart, will.i.am, The Y's
Lançamento: Dezembro de 2009
Nota: 7.0




Rihanna vem seguindo uma trajetória respeitável e de grande progresso desde que lançou "Music Of The Sun" em 2005 e estourou com o hit "Pon De Replay". Até o lançamento do seu terceiro disco, tudo o que ela precisava para ganhar um destaque com proporções globais era um mega sucesso. Veio "Umbrella" e desde então a jovem cantora já figura entre as principais cantoras Pop/R&B da atualidade.

Seu trabalho mais notável, "Good Girl Gone Bad", foi uma verdadeira surpresa por agradar tanto os ouvintes quanto os críticos. Contendo músicas pop agradáveis, dançantes e divertidas (o que menos há nesse disco a ser resenhado), o CD se tornou um dos melhores de 2007 e rendeu a popstar nascida em Barbados o status mundial que ela tem hoje. Após lançar nada menos que 8 singles desse álbum, Rihanna continuava aparecendo em participações notáveis de músicas de sucesso como a grudenta "Live Your Life" de T.I. e a boa "Run This Town", do seu padrinho Jay-Z.

Não demorou muito para o quarto disco da cantora ser feito. Não deu tempo nem de sentir saudades e ninguém aguardava anciosamente esse trabalho. Porém, o resultado é agradável e mostra o quanto Rihanna amadureceu musicalmente (com certeza aquelas porradas do Chris Brown contribuiram para isso). Intitulado "Rated R", o CD nos apresenta músicas com uma sonoridade um tanto 'down', bastante deprê e dark. Quando ouví pela primeira vez, passou pela minha cabeça que Rihanna estava virando uma seguidora de Marilyn Manson ou algo do tipo. A mudança de clima de um disco para o outro foi extremamente brutal.

Não que isso seja ruim, mas acabou ajudando no desgaste que o disco possui em suas faixas. Irregular ao extremo, o número excessivo de produtores não conseguiu dar ao disco uma cara própria. A ótima "Hard" parece mais uma versão da própria Rihanna para "Run This Town", considerando a acertada participação de Young Jeezy e o instrumental extremamente hip hop (comercial, mas ainda assim bem 'street'). A interessante "Rockstar 101" é divertida, mas a participação do Slash soou gratuita e só serviu como um nome chamativo pro álbum. "Russian Roulette", o primeiro single, nos mostra como de fato Rihanna amadureceu, e foi uma boa escolha para as rádios. "Fire Bomb" mostra ser uma versão mais madura e bem trabalhada das músicas dos cantores teen da Disney, mas ainda assim é fraca.

A segunda metade do disco é excelente e lá estão todos os outros pontos positivos dessa mudança. "Rude Boy" é excelente, pop, comercial, chiclete e chega perto de "Umbrela". Seria um single e tanto, se for lançado na hora certa. "Photographs", produção de will.i.am (Black Eyed Peas) é a melhor balada da carreira da Rihanna, com uma letra linda, produção simples, mas adequada aos vocais suaves e agradáveis da cantora. "G4L" é a faixa mais dark e por isso pode irritar alguns. A letra é pesada, e chega a ser cômico ouvir Rihanna pagando de gangsta. A conhecida "Te Amo" é estranhissima (letra, arranjos, ritmo) e, curiosamente, fez sucesso por aqui antecipadamente.

Até que chega "Cold Case Love", a melhor música do álbum. Uma grande produção do trio The Y's (Justin Timberlake, Rob Knox e James Fauntleroy) que começa como uma música qualquer, mas aos poucos sua qualidade se torna mais perceptível. Nela, Rihanna está cantando com sentimento, isso é nítido, e o excelente instrumental contribui para que isso transpareça de fato. O disco poderia terminar por aí, mas ainda tem "The Last Song", que é fraca, cheia de exageros e passa despercebida após a grandiosidade da canção anterior.

Um disco muito bom e que por pouco não é melhor que o excelente Good Girl Gone Bad. Rihanna amadureceu muito e isso rendeu trabalhos positivos. Fica a recomendação para quem curte um pop diferente, que foge do convencional sem deixar de ser radiofônico.

Música: Pearl Jam – Just Breathe

"Just Breathe é uma linda música sobre reflexão de vida, que traz uma bela composição aliada as qualidades vocais de Eddie Vedder"



Artista: Pearl Jam
Música: Just Breathe
Álbum: Backspacer
Produção: Bredan O'Brien
Nota: 8.0




A banda grunge Pearl Jam, que lançou na segunda metade do ano de 2009 o maravilhoso disco "Backspacer" é considerada ao lado do Nirvana os principais percurssores do gênero que influenciou inumeras bandas do rock atual como Nickelback, 3 Doors Down e The Strokes. Seu primeiro álbum, "Ten", é uma verdadeira obra-prima e nunca o grupo conseguiu atingir tal nível com os outros trabalhos, mas ainda assim, tudo que eles fazem dão um resultado satisfatório em termos de qualidade.

Voltando a falar de sua produção recente, "Backspacer" é um disco muito bom e sem dúvidas está na minha lista de melhores CD's do ano. O seu primeiro single, "The Fixer", é um rock pesado e energético, bastante radiofônico e que fez sucesso nas paradas de rock americanas. Para ser a segunda faixa de trabalho, os integrantes resolveram apostar na agradável "Just Breathe", que apesar de não ser tão comercial quanto a anterior, é ótima e carrega inumeros pontos positivos.

A música começa com acordes gostosos de ouvir, nos dando toda uma sensação de tranquilidade. Qualquer semelhança com as músicas do filme "Na Natureza Selvagem", de 2007, não é nenhuma coincidência, já que o responsável pela trilha da película é o vocalista Eddie Vedder. O violão suave se mantém até o final da música, sendo esse um dos maiores pontos a se destacar.

Outro grande fator de qualidade desse single está no vocal de Vedder. Sinceramente, não dá para imaginar outro cantor recitando a letra, ou melhor, os versos desse lindo poema que a canção traz. Uma composição carregada de sentimento, reflexão e sinceridade (outra semelhança com as músicas do filme citado). A maneira de como ele transmite todas essas senssações foi única e isso é algo raro de se ver com tanta clareza na música conteporânea. Um grande feito que só alguem tão talentoso como Eddie pode realizar.

Uma canção que não enjoa e que de fato nos dá a sensação de estarmos ouvindo algo verdadeiro, fugindo da burocracia e dá artificialidade que a música pop tanto nos mostra hoje em dia. Fica a recomendação para quem quer ouvir algo bom e simples. Mais uma vez o Pearl Jam consegue manter a qualidade de sempre.

Filme: Julie & Julia (2009)

"Um filme bem feito e interessante, mas só isso. Meryl Streep se destaca (pra variar)"




Título: Julie & Julia
Roteiro: Julie Powell (livro), Alex Preud'homme (livro), Nora Ephron (roteiro), Julia Child (livro)
Direção: Nora Ephron
Ano: 2009
Nota: 6.0




A culinária é uma área explorada muito de vez em quando no cinema, o que é uma pena porque os poucos filmes sobre o assunto que já vi trouxeram um resultado bastante positivo. Até a Disney/Pixar soube usar o tema de forma magistral ao produzir o fantástico "Ratatouille" em 2007. É tentador ver belos pratos de comida nos filmes do tipo e é interessante ver a história de alguém tão afeiçoado ao ato de cozinhar.

"Julie & Julia" é um livro que foi lançado em 2005 e que, consequentemente, deu origem a esse filme 4 anos depois. Escrito por Julie Powell, narra sobre um ano em que a mesma dedicou os seus 365 dias para realizar um desafio: fazer todas as receitas contidas no livro da famosa cozinheira Julia Child. Todas as experiências ocorridas durante essa empreitada são publicadas em um blog.

Além desse livro, o filme utiliza a autobiografia de Julia (intitulada "My Life in France") para narrar uma história paralela, sobre como ela ingressou no mundo da culinária, teve aulas, conheceu pessoas e escreveu suas receitas. Isso lá pro final da década de 40. E dessa forma que o roteiro é estruturado, alternando entre os dois enredos de forma interessante, mas que vai cansando aos poucos.

Em primeiro lugar, devo dizer que o maior destaque do filme está na atuação de Meryl Streep. A atriz que possui anos de carreira e dezenas de indicações ao prêmio máximo da indústria cinematográfica praticamente brinca de 'ser Julia Child'. Seu tom de voz, suas expressões faciais, toda a personificação dada por Meryl está perfeita e contribui bastante para que o filme não perca a graça. Com um ritmo arrastado, "Julie & Julia" poderia ser um filme qualquer e passar despercebido, mas graças a esse fator, ele será bem lembrado.

Outras características positivas presentes no filme são: o figurino de época muito bem selecionado, exibido nas passagens da vida de Julia; a trilha sonora carregada de blues e jazz que nos remete àquela época e dá todo o clima retrô as devidas cenas; a direção de arte que fez um trabalho satisfatório, se destacando quando apresenta as cidades francesas por onde Julia Child passa. Vale lembrar que todas essas qualidades estão presentes somente nas partes que mostram a história da cozinheira.

Não que os momentos da vida de Julie Powell sejam desinteressantes, mas eles não tem a mesma graça e dessa mesma forma contribuem para a irregularidade do filme. A atuação de Amy Adams é boa e convence bastante, assim como a participação dos demais, porém o problema está mesmo no roteiro, que narra os desafios encarados por Powell de forma superficial e destemperada. Ainda por cima, o seu final é bem previsível.

Após a sessão, me senti como se tivesse assistido um filme divertido, interessante e que serviu como um bom passatempo, porém não ví nada que fosse maravilhoso (fora a atuação de Meryl). Uma narrativa batida e que não marcará seus espectadores. Da mesma forma que Julia Child avalia um de seus pratos, avalio essa obra: "it's pretty good, but not great".

Música: Oddish feat. Beto Black - Hipnotiza

"Não é inovador e pode desagradar a muitos conservadores, porém serve muito bem para quem tá começando no Rap"



Artista: Oddish feat. Beto Black
Música: Hipnotiza
Álbum: Il Vincitore
Produção: Cyber
Nota: 6.5




Oddish é mais um jovem dessa nova safra de rappers nacionais que estão dando uma cara mais virtual e conteporânea ao gênero, fazendo com que a era de grupos como Facção Central e Racionais Mc's finalmente terminasse. Ao lado do talentoso Emicida, o penta-campeão baiano de freestyle (batalhas de rima) tem tudo para ser o percurssor dessa inovação no estilo.

Desde que ganhou seu primeiro campeonato, em 2007, Oddish passou a se destacar no cenário underground por suas rimas sarcásticas e carregadas com muito bom humor. Começou a gravar demos e chamou a atenção de alguns produtores independentes. Em dezembro de 2009, ele lançou em seu myspace sua primeira música de trabalho: Um rap pop e psicodélico intitulado "Hipnotiza". (Clique aqui para ouvir)

A música tem uma produção de alto nível comercial e sua sonoridade é extremamente radiofônica. Isso não é bem uma qualidade, pois aberrações novatas como TioTed ou Túlio Dek também rimam em cima de grandes bases. O instrumental, apesar de tudo, consegue criar uma vibe bastante adequada à letra da música e os sintetizadores realmente 'hipnotizam', abusando de arpeggios e delays para um clima ser criado. O refrão, mesmo não sendo um ponto alto da música, encaixa direitinho no contexto e é bem cantado pelo desconhecido Beto Black.

Porém, o que realmente impõe qualidade na música em questão e a diferencia das demais é que dessa vez estamos ouvindo alguém talentoso. Em dois versos de "Hipnotiza" já podemos encontrar muito mais coerência do que na letra de "Nossa Química", do Bonde da Stronda por exemplo. O novato mostra uma levada impressionante, e consegue provar que de fato tem o que precisa para seguir em frente e evoluir. Fica a deixa para uma grande surpresa depositada em seu E.P, "Il Vincitore", com previsão de conclusão para o início do ano que vem.

Por isso, a música, que em seus primeiros segundos dá sinais de ser uma verdadeira bomba, consegue elevar o seu nível de forma que convence o (bom) ouvinte. Não é inovadora e está longe de ter as qualidades que um bom rap nacional tem, mas "Hipnotiza" servirá perfeitamente para ser o pontapé inicial de uma carreira que, se depender dos méritos, só tende a prosperar.

Livro: Em Busca de um Sonho

"Começa bem, mas aos poucos vai cansando por cair em enrolações desnecessárias. Mesmo assim, é divertido e recomendado."



Título: Em Busca de um Sonho
Autor: Walcyr Carrasco
Nota: 7.0




Nacionalmente conhecido por escrever novelas globais, o paulista Walcyr Carrasco também é autor de livros e peças de teatro com muito sucesso e prestígio no Brasil. Entre suas principais obras televisivas, podemos citar "Xica da Silva" (1996), "O Cravo e a Rosa" (2000), "Chocolate Com Pimenta" (2003) e "Alma Gêmea" (2005). Nunca fui muito fã de novelas, mas sei que todas elas renderam uma boa audiência e grana pra Globo (tirando Xica da Silva, que era da TV Manchete).

Porém, como estamos falando de uma obra literária dele e não tenho conhecimento de seus exemplares de maior sucesso, irei usar como referência um de seus livros que já li. "Irmão Negro", de 2003 tem uma história muito linda, mas é melodramático e curto demais, tornando até simplista uma temática muito forte para ser tratada como a do racismo e preconceito. É um livro que no geral agrada, mas não consegue impressionar. Um resultado muito semelhante com esse daqui que irei criticar, "Em Busca de um Sonho", lançado em 2006.

O livro conta uma biografia do próprio autor dando ênfase no tema que o título propõe. É a história de Walcyr Carrasco a procura da realização de seu sonho de ser um escritor, passando por diversas experiências e diferentes empregos, nos contando uma bonita história de vida e apresentando uma excelente mensagem de persistência e dedicação em busca do que mais deseja. O enredo tem seu início focado na infância e adolescência do autor, que desde cedo já se mostra interessado na escrita e na literatura. Há inclusive citações de obras famosas que o influenciaram como "O Conde de Monte Cristo" e "As Mil e uma Noites".

O principal acerto do autor é conseguir fazer com que essa história se torne algo interessante, prazerozo e divertido de ler. Isso até a metade do livro. Do meio pra frente, o enredo se torna mais apressado, e um momento rápido de falta de atenção na leitura pode lhe deixar muito confuso, já que o tempo passa de forma astronômica após a parte da viagem que o protagonista faz para o exterior. Creio que essa medida foi tomada para deixar o livro mais curto e não desinteressar o público infanto-juvenil ao qual o livro é destinado.

A sua conclusão não é bem um final, apenas uma deixa para apresentar uma moral que é diversas vezes passada ao longo da história. Apesar das qualidades, não é um livro inesquecível, apenas uma boa história e que poderia ser muito bem recomendada à alunos do ensino fundamental. Mas passa longe de ser algo grandioso.