"Um pouco inferior ao seu disco anterior, porém com uma produção de alto nível e vocais menos irritantes"
Artista: Rihanna
Disco: Rated R
Produtores: Antonio "L.A." Reid (executive), Rihanna (also executive), Chase & Status, The-Dream, Chuck Harmony, Brian Kennedy, Ne-Yo, StarGate, Tricky Stewart, will.i.am, The Y's
Lançamento: Dezembro de 2009
Nota: 7.0
Rihanna vem seguindo uma trajetória respeitável e de grande progresso desde que lançou "Music Of The Sun" em 2005 e estourou com o hit "Pon De Replay". Até o lançamento do seu terceiro disco, tudo o que ela precisava para ganhar um destaque com proporções globais era um mega sucesso. Veio "Umbrella" e desde então a jovem cantora já figura entre as principais cantoras Pop/R&B da atualidade.
Seu trabalho mais notável, "Good Girl Gone Bad", foi uma verdadeira surpresa por agradar tanto os ouvintes quanto os críticos. Contendo músicas pop agradáveis, dançantes e divertidas (o que menos há nesse disco a ser resenhado), o CD se tornou um dos melhores de 2007 e rendeu a popstar nascida em Barbados o status mundial que ela tem hoje. Após lançar nada menos que 8 singles desse álbum, Rihanna continuava aparecendo em participações notáveis de músicas de sucesso como a grudenta "Live Your Life" de T.I. e a boa "Run This Town", do seu padrinho Jay-Z.
Não demorou muito para o quarto disco da cantora ser feito. Não deu tempo nem de sentir saudades e ninguém aguardava anciosamente esse trabalho. Porém, o resultado é agradável e mostra o quanto Rihanna amadureceu musicalmente (com certeza aquelas porradas do Chris Brown contribuiram para isso). Intitulado "Rated R", o CD nos apresenta músicas com uma sonoridade um tanto 'down', bastante deprê e dark. Quando ouví pela primeira vez, passou pela minha cabeça que Rihanna estava virando uma seguidora de Marilyn Manson ou algo do tipo. A mudança de clima de um disco para o outro foi extremamente brutal.
Não que isso seja ruim, mas acabou ajudando no desgaste que o disco possui em suas faixas. Irregular ao extremo, o número excessivo de produtores não conseguiu dar ao disco uma cara própria. A ótima "Hard" parece mais uma versão da própria Rihanna para "Run This Town", considerando a acertada participação de Young Jeezy e o instrumental extremamente hip hop (comercial, mas ainda assim bem 'street'). A interessante "Rockstar 101" é divertida, mas a participação do Slash soou gratuita e só serviu como um nome chamativo pro álbum. "Russian Roulette", o primeiro single, nos mostra como de fato Rihanna amadureceu, e foi uma boa escolha para as rádios. "Fire Bomb" mostra ser uma versão mais madura e bem trabalhada das músicas dos cantores teen da Disney, mas ainda assim é fraca.
A segunda metade do disco é excelente e lá estão todos os outros pontos positivos dessa mudança. "Rude Boy" é excelente, pop, comercial, chiclete e chega perto de "Umbrela". Seria um single e tanto, se for lançado na hora certa. "Photographs", produção de will.i.am (Black Eyed Peas) é a melhor balada da carreira da Rihanna, com uma letra linda, produção simples, mas adequada aos vocais suaves e agradáveis da cantora. "G4L" é a faixa mais dark e por isso pode irritar alguns. A letra é pesada, e chega a ser cômico ouvir Rihanna pagando de gangsta. A conhecida "Te Amo" é estranhissima (letra, arranjos, ritmo) e, curiosamente, fez sucesso por aqui antecipadamente.
Até que chega "Cold Case Love", a melhor música do álbum. Uma grande produção do trio The Y's (Justin Timberlake, Rob Knox e James Fauntleroy) que começa como uma música qualquer, mas aos poucos sua qualidade se torna mais perceptível. Nela, Rihanna está cantando com sentimento, isso é nítido, e o excelente instrumental contribui para que isso transpareça de fato. O disco poderia terminar por aí, mas ainda tem "The Last Song", que é fraca, cheia de exageros e passa despercebida após a grandiosidade da canção anterior.
Um disco muito bom e que por pouco não é melhor que o excelente Good Girl Gone Bad. Rihanna amadureceu muito e isso rendeu trabalhos positivos. Fica a recomendação para quem curte um pop diferente, que foge do convencional sem deixar de ser radiofônico.


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